a estranheza
que antecede a ligação
Talvez esteja a abrir um tema polémico: escrever ou não escrever nos livros?
Para mim, um livro precisa de ser vivido. Sublinhar, tirar notas, fazer perguntas ao que leio faz parte da minha história com o livro. É como se estes comportamentos fossem marcadores de tempo e encontros de perspetivas.
É uma forma de dizer que passei por ele. E ele passou por mim. Senti-o! Claro que nos livros da biblioteca ou que me são emprestados não o faço. Nem era este o caso.
Eu e a minha amiga Catarina decidimos oferecer um livro a uma amiga. Sentadas num café, antes da festa de aniversário, questiono:
- Escrevemos uma mensagem no livro?
Reforço, com alguma convicção, que tenho “a certeza” de que ela não tem aquele livro e que não o vai trocar.
A Catarina hesita. Fica desconfortável. Ansiosa, até.
Ela nunca escreveu em livros. E isto não é sobre escrever em livros.
É sobre a forma como olhei para ela nesta tarde.
Antes de nos sentarmos no café, fomos a uma loja de velharias. Trabalho de pesquisa para encontrar revistas vintage para os meus postais em collage (já agora, aceito doações 😉).
Enquanto folheava revistas, ela desapareceu do meu campo de visão.
Minutos depois, regressou radiante. Nas mãos, uma pequena jarra vermelha, aberta, com peixes e corais lá dentro.
- Isto é uma peça Vallauris! - diz, em êxtase.
Nem percebi o nome à primeira. Olho para o objeto. Faço um u-a-u meio hesitante. Estranho. E, por dentro, questiono: será que é caso para tanto entusiasmo?
Claro que é. É sobre ela.
Mas a minha primeira reação foi estranheza. Assim como a dela quando lhe proponho escrever num livro.
É a estranheza que tantas vezes nos afasta das nossas relações e de procurarmos compreender melhor a nossa sensibilidade e a forma como comunicamos.
A estranheza que senti ao olhar para a jarra foi semelhante à que ela sentiu ao imaginar-se a escrever num livro.
Duas estranhezas, na mesma tarde.
Acabámos por desconstruir a frase do livro: eu faço o trocadilho de palavras, ela desenha. Falámos sobre a jarra. Ela mostra-me a sua aplicabilidade. Eu começo a compreendê-la.
Adivinha: deixou de ser estranho.
Tal como o meu caminho na desconstrução da sensibilidade continua a acontecer à medida que acompanho Pessoas Altamente Sensíveis (PAS) nas sessões de coaching de comunicação.
Se sentes que este é o momento de acolher a tua sensibilidade e a forma como comunicas, e queres fazer esse caminho com apoio, envia-me uma mensagem. Vamos conversar?
Até já,
Daniela Crespo
Coach de Comunicação e Pessoa Altamente Sensível (PAS). Adoro criar e recortar palavras. Procuro o silêncio, mas não dispenso uma boa conversa. Vamos conversar? 🤎 Podes encontrar-me no Instagram ou falar comigo através do e-mail bemfaladanielacrespo@gmail.com
entre o sorriso
Recebi por e-mail este feedback de um workshop que organizei. E, de todas as palavras, os meus olhos descansam no sorriso calmo e contagiante. Não é novidade para mim elogiarem o meu sorriso. Ele sempre fez parte de mim. A novidade é sentir-me completa e consciente dele. (...) Continua a ler aqui:




Adoro a forma como você combina as vivências do dia a dia com o seu tema principal, conhecer sobre a sensibilidade, texto muito lindinho. Concordo muito com a parte de que a estranheza muitas vezes afasta, mas depois que o estranho vira familiar ele se torna próximo de novo <3
Este tema é tão importante. Adorei 🥰